
Casas estreitas, unidas, geminadas. Parecem de mãos dadas. O lugar onde moro é um quarteirão de casas todas iguais. Elas têm a idade de um século. Moramos no Quarteirão dos Compositores - uma pequena vila dentro do Bairro de Østerbro, não longe do centro de Copenhague. Cada rua foi batizada com o nome de um compositor dinamarquês.
De minha janela olho as outras casas. Vou para a rua. Caminho e percebo o mundo pequeno, como se fosse um ninho. Trilhas miudinhas, um jardim de malvas, quase selvagem Há música dentro delas, são eles que estão compondo... ainda! Encontro o menino, a moça, a vovó, que me faz um sorriso. Aqui uma bola, ali a bicicleta. Trezentas e noventa e três casas. Trezentos e noventa e três universos. Dezenas de castelos de sonhos. Penso em amores ali encontrados.
Fachadas uniformes, sem monotonia. Cada moradia leva um traço de sua personalidade que a distingue de todas as outras: a cerca, a gérbera, um banco, o guarda-sol, a cerejeira em flor, as lanternas, o carrinho de nenê, a casa de passarinho, a roseira. Janelas sem grades, poucas cortinas, somente vidraças. Quase todas com moldura branca, ou verdes, algumas azuis. Do lado de dentro há um parapeito rente à vidraça, onde há espaço para colocar um candelabro, uma planta, um porta retrato. Ou, quem sabe, um vaso? A escadaria é iluminada, sinto o cheiro da madeira. Muitas luzes. Design dinamarquês.
Um lugar... Komponistqvarteret. Nada pomposo. Sem contrastes. Apenas bonito.

