terça-feira, 13 de maio de 2014


Biblioteca – paredes que guardam histórias. Prateleiras abarrotadas de livros, construtores de sonhos. Cada volume, um universo. Cada título, uma viagem. É uma silenciosa sala, inaudíveis vozes narram episódios e aventuras. As estantes formam um mosaico de contos, crônicas e romances. Obras herdadas, recebidas. Ensaios escritos para mim, feito dádivas. Mundos inventados. Infinitudes. Tão plenos. Envolventes. Tão livros. Resmas de folhas encadernadas contém deliciosas palavras, e são acessíveis. Algumas vezes, se apresentam trágicas, ou tristes. Palavras figuradas, esculpidas, manuseadas. Encontro-me com Márquez, Drummond, Clarice, Saramago, Cecília, Allende e tantos outros. Autores e sua arte. Uma multidão de personagens habita o aposento. Sinto que estão ali... ouço murmúrios misteriosos, falas e risos. Essa gente toda, em inconfundíveis cenários: Alices Bastians José Arcádios Estebans Anas Claras. Ferminas e Florentinos. Personagens transbordam das histórias fabricadas e despertam fábulas. Por entre os volumes já um pouco amarelados, há dragões, cavalos, príncipes, duendes, magos e bruxas. Eragon e Saphira. Seres mágicos espalham seus poderes em algum tempo... antes existido, e o agora. Leituras a meu dispor. Leituras inesquecíveis a meu dispor. Biblioteca – depósitos de histórias. O livro

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Levada pelas ondas. Perdeu-se do mar. 
Um pouco azul, algumas linhas marrons, 
ou branco navajo. 
Sua forma arqueada - quase oval - 
espelha na água cristalina 
uma perfeita silhueta. 
Estava lá... airosa.
A concha.
Vênus, nas rochas jogada. 
Pelas ondas – de seu mar. 


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Inverno que se demora -
debruça preguiçoso na parapeito da janela. 
Disse-lhe: vai embora! 
Riu-se de mim... Adia! 
Busco, então, flores para dentro de casa. 
Jacintos florescem devagarinho - a cor de meu dia!


domingo, 12 de janeiro de 2014

"Brasileiro quando fala... parece que está a cantar!" 
O taxista que nos levou do hotel até o aeroporto de Lisboa estava ouvindo no rádio uma entrevista, e eu, imediatamente, pude reconhecer a voz do poetinha. Então - que delicia! - falamos de Vinícius de Moraes. O motorista tanto contava do poeta brasileiro, de seus sonetos, do amor que tinha pelas mulheres, da Bossa Nova, de Tom... E eu me encantava cada vez mais com seu largo conhecimento e com seu entusiasmo pelo escritor. Ah... eu poderia ter ficado no taxi ainda por horas a falar de poesia... e, quem sabe, subir e descer as sete colinas de Lisboa, demorar-me na Baixa Pombalina, perambular pela Rua Augusta e me perder entre as ruelas da capital lusitana milenar. E logo ali admirar o rio... que está por se entregar ao mar. O Tejo.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Quero andar pelas ruas e ver as cores. 
Vou por um atalho e cruzo todos os caminhos possíveis. 
Sinto, desse modo, o ritmo das coisas e o pulsar da vida. 
Assim, meu trajeto estará cheinho de histórias que quero contar.


A casa amarela. Lembrou-me Van Gogh. 
Se a visse, Vincent certamente a pintaria. 
Sozinha, entre bétulas e carvalhos, 
cintila à luz do sol e enche a vida de quimeras. 
Ao observá-la, me senti como o pintor holandês – 
o momento inflamou em alegrias. 
Como a segredar, a pequenina casa passou-me sua energia. 
Uma casa amarela no meio do (meu) caminho verde. 
Intensa tonalidade. Singela.



Bailarina mulher. 
Ou seria menina? 
Dança na ponta dos pés. 
 Faz piruetas... é graciosa
dengosa,
leve, como uma borboleta. 
E olhe, como rodopia. 
Depois, levanta os braços... 
e espia! 


Essa cidade... é como se fosse uma casa para mim. E, muitas vezes, ao passear no cais do velho porto, penso em H.C. Andersen. É como se estivesse a passear comigo pelos antigos quarteirões. Seguimos, pois, suas pegadas em ruas medievais, o contista e eu. Atravessamos a praça do rei e nos demoramos em conversas na beira do cais. Aqui o poeta gostava de ficar, pois amava-o fascinado. Tudo é história. Os velhos lampiões. Os barcos. As casas... o mar. Para mim é poesia.


Depois da queda haverá o despertar... 
e a dor se transformará em felicidade. 
Depois da decepção, surgirá o deslumbramento. 
E sonhos renascerão... em suave esperança. 
Então existirá a procura... o doce encontro. 


Porque saio para fotografar... já inquieta. Tomo a direção do Jardim Botânico. O caminho está ladrilhado de encontros. Neles procuro-me. Palavras rabiscam figuras em minha cabeça. Escolho algumas para falar daquilo que já não consigo guardar. A folha rodopia com o vento e me fez lembrar do poema que gostaria de ter escrito - mas que não sei decifrar. Então, o silêncio em mim é interrompido pelas vivas vozes das plantas do parque. As flores, os pinheiros, os carvalhos e as faias, arbustos e ervas... tudo está a me falar. Olho para trás e vejo uma flora inteira a me contar coisas. Fascinada, observo a variedade de suas formas essenciais. O canto é matizado. A lente procura o macro, explora, experimenta. E eu me encontro neste muro intransponível.. o da emoção. O parque... tão cheio de nós. Metamorfose e troca.