A moldura do olhar. Lá embaixo, corre o rio, formando o desenho de uma ferradura. Enrosca- se com lentidão por entre as montanhas, como se fosse uma serpente viva. As montanhas moldam- se, feito gomos verdes, cobertas por árvores ancestrais. É a mata, o lugar de mistérios escondidos, onde habitam os personagens de minhas lendas, acode vidas. E lá adiante, mais no alto, os rochedos. Sedentários. Paredões milenares olham sempre para a mesma direção. São rostos cinzas, tocados pelo vento... e banhados por tempestades. Superfícies ásperas, como rugas sofridas, profundas. A moldura de minha interpretação. O vale, que recebe o rio, em entranhas curvas, é o leito das águas, o caminho por onde desliza o fio azul transparente. Azul líquido. O rio vai embora, segue seu curso, e encontra outros lugares. Planícies férteis. Águas mornas, pedras duras. A figura de minha emoção.
terça-feira, 7 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Lembrei-me de você... Pensei em contar sobre tantas coisas. E se eu contasse, irias dar risadas de minhas doidices. Dirias que continuo a mesma apesar dos anos... E sim! Falaria aos cotovelos e as palavras encheriam esta sala de fonemas e de significados – de risos e de interjeições. Enquanto te escreveo, a chuva cai. Daqui de onde te escrevo, posso ver as folhas empinadas dos coqueiros. Que dança verde que estão a dançar nessa chuva, chuva. Lembrei-me de você, e decidi contar-te sobre a leveza desse instante – esse momento eterno de nós.
Texto&Imagem: Ilaine
terça-feira, 30 de abril de 2013
Então vi a cadeira naquele jardim selvagem e não pude deixar de fotografar. Imaginei-a ali sentada, misteriosa e linda, escrevendo cartas para as suas queridas. E eu consegui até ouvir as teclas da máquina a digitar as palavras:
Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa...
Imagem&Texto: Ilaine
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O amor preenche todos os espaços - por ser imenso. Ele traz o que antes buscávamos. E mora lá dentro. Se encastela - se faz forte. Quando temos amor o coração amolece, palpita... endoidece a vida. Somos frágeis e, ao mesmo tempo, mais loucos. O amor quer presença, precisa alimentar-se... urge acelerar o passo, voar. O amor faz do grito um sussurro... um cochicho... uma carícia. O doce olhar... as almas gêmeas.
Texto&Imagem: Ilaine
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Ventos
Ventos de outono balançam o dia. Trazem-me aromas de frutas maduras. Aqui no jardim, sozinha, ouço o transformar dos ciclos. Cores únicas. Olho-as admirada. As formigas fazem
fileiras e carregam folhas cortadas nas costas – é preciso fazer
depósitos para quando no inverno estiver fazendo frio demais. Se não fosse essa profundidade nas coisas. Se
fosse mais leve como o farfalhar das folhas caídas. Assim,
preciso contar, pois poderá transbordar de mim. O
aconchego de tudo me envolve e eu sinto algo tão bom. Deixo-me levar – e
tudo é imenso, e belo.
Texto/Imagem: Ilaine
sábado, 16 de março de 2013
Abandono
Fomos pelos caminhos quase desertos perto do rio. A barca é apenas uma recordação, nada dela sobrou. O casarão abandonado é uma marca cinzenta, tão cinzenta no verde das plantas. Ouvi em minha imaginação gritos de crianças e no parapeito da janela debruçava uma moça... Uma escada levava até a sala principal. Ainda pude ver os arabescos da porta escancarada... Queria ter entrado na velha casa... para que ela me contasse mais coisas. Mas lá não pude ficar.
texto e imagem: Ilaine
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